domingo, 15 de agosto de 2010

POEMAS DA CONSUL POTIGUAR LUCIA HELENA PEREIRA

LÚCIA HELENA PEREIRA - CONSUL POETA DEL MUNDO DE CEARÁ-MIRIM

A ALMA DAS FLORES


Sobrevoa a pétala da flor rosada

Desprendida e tão grávida de orvalho

Banhando-se ao morno sol do amanhecer.


Em sua pele, transparente e inconsútil

Vê-se alma de pureza e doçura

Enternecendo o coração da gente.


Película branca, rosa e levemente lilás

Cobrindo sua nudez despetalada

Que o vento arrasta, para onde quer.


A alma das flores chora

Um pranto delicioso, nota magoada,

Que sobrou, de um cortejo florido.


As flores dançam, desmaiam, suam...

E a alma delas exala sutil halo,

Incandescente, cristalizando-se na flor.


Oh! Deus, quisera perpetuar as flores,

Demorar sua beleza e aromas,

Mas sua alma as leva tão brevemente...


A alma das flores traz um toque de brilho,

Luz que se derrama dos hibiscos

E se materializa na forma e cor, tão humanas!


Oh! Alma das flores, demorai seu egoísmo,

Deixai que essas pétalas macias perdurem

E encham nossos olhos de inocência.


Não permitais, alma indolente, radical,

Que as flores se machuquem, elas sentem dor,

Choram e agonizam ao soprar dos ventos.


Quero a alma das flores sobrevoando

Em jardins negros com lagos brancos...

Elas são doces, lindas e gentis.


A alma das flores enfeita nossas festas,

São meninas rosadas e amarelas gritando suas dores,

Esticando suas pétalas, e seus gemidos...ecoam!


DO AMOR QUE FICA


Fale-me desse amor que fica

No perfume da rosa que te dei

E desfolhaste na madrugada insone.


Preciso saber desse amor imenso, lento, chegando

Para ficar um dia, preso entre nós dois,

Concha do mar, luar de abril,


Brisa que o vento agride.

Fale-me dessa rosa que fica

Num jarro de vidro azul esmaecido,


Onde ela se destaca e adormece,

Amanhecendo em suor de luz.

Fale-me desse amor que fica


Na doçura de um cansaço de esperas,

Na luminosidade de um dia festejado de sol,

Na hora íntima, de juntarmos nossos corpos...


E mãos!

Preciso desse sorriso seu - amoroso,

Da translúcida hora da afeição e do orgasmo


De uma flor, presa ao galho,

E se desprendendo, parindo sozinha...

Fale-me do amor que fica - eterno,


Lindo e lírico, cheio de noites e madrugadas,

O amor que nada pede, recebe

E se dá!


Um comentário:

DALVINHA disse...

Que bom gosto! Gosto muito de poesia e esse gosto se intensificou quando fiz uma pós-graduação em Literatura do século XX.
Parabéns pelas postagens!!

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